Com a criação do GEIA, em
meados da década de 50, houve o incentivo à implantação de fábricas de automóveis
aqui no Brasil, com ênfase para os utilitários e carros populares.
Na fase de implantação da
indústria automobilística nacional, o GEIA recebeu mais de vinte projetos, dos
quais apenas dezessete tiveram aprovação e somente doze foram concretizados:
Fábrica Nacional de
Motores (caminhões, ônibus e automóveis);
Ford Motor do Brasil S/A
(caminhões, automóveis, utilitários e tratores);
General Motors do Brasil
S/A (caminhões e automóveis);
International Harvester
S/A (caminhões);
Mercedes Benz do Brasil
S/A (caminhões e ônibus);
Scania Vabis do Brasil
(caminhões e ônibus);
Simca do Brasil
(automóveis e camionetas);
Toyota do Brasil S/A
(utilitários);
Vemag S/A ( automóveis,
camionetas e utilitários);
Volkswagen do Brasil S/A
(camionetas, furgões e automóveis);
Willys Overland do Brasil
(utilitários, camionetas e automóveis) e
Karmann Ghia do Brasil
(carrocerias de automóveis).
A Willys tinha a maior
linha de utilitários (Jeep e Rural), mas era carente em carros populares e para
não ficar fora dessa fatia do mercado, fez um acordo com a francesa Renault
para fabricar o Dauphine aqui no Brasil.
Em dezembro de 1958, a Willys recebeu autorização do GEIA para dar
início a produção. Em março do seguinte ano, era anunciado a fabricação do seu
1° automóvel brasileiro e em outubro aconteceu o lançamento oficial.
![]() |
| Dauphine |
O Dauphine era o único da
categoria com estrutura monobloco. As linhas seguiam às do original Frances,
diferenciando em alguns detalhes, como o capô, os faróis e os pára-choques. O
interior acomodava 4 ocupantes com mais conforto que o VW. No painel, velocímetro
e marcadores de temperatura e nível de combustível. Volante com dois aros e o
acelerador tipo rodilha. Motor traseiro, 845 cm³, 26 cv líquidos(31 brutos). Câmbio
de três marchas e rodas fixadas por apenas 3 parafusos.
Uma curiosidade:
A chave de roda servia
como manivela de partida, havia no pára-choque e na saia traseira um furo para
o engate na polia do motor.
Com seu pouco peso, 650 kg , era ágil no trânsito,
sua aceleração vai de 0 a
100km/h em 35 seg., velocidade máxima de 115km/h e tinha uma autonomia de 32 litros , fazendo de 14 a 15 km/l.
Contudo era considerado um
carro frágil e com as precárias estradas brasileiras acabava por destruir em
poucos anos esse simpático carro.
Por causa dessa
fragilidade sua reputação estava indo por água abaixo, então a Willys tomou
algumas medidas para tentar alterar esse trágico panorama.
Em julho de 1962 foi
lançado o Gordini. Motor mais forte, 32cv a 5.200 rpm, câmbio de 4 marchas com
o objetivo de melhorar o aproveitamento da potencia com menor intervalo entre
as relações de marcha.
Sua aceleração ia de 0 a 100km/h em 28 seg. e
velocidade máxima 120 km/h .
Amortecedores mais firmes e os freios com lonas mais largas.
Porém, mesmo com todas as
mudanças e com propagandas passando a imagem de valentia, a sua durabilidade
ainda era o seu ponto baixo, a qual fez surgir um apelido baseado em uma marca
de leite em pó, “leite Glória – desmancha sem bater”.
A Willys não desiste de
provar ao público que o Gordini era resistente e resolve investir. Ela fecha o
autódromo de Interlagos por um período de 22 dias, de 26/10 até 16/11/1964, com
o objetivo de bater recordes internacionais de resistência.
Foi escolhido
aleatóriamente um gordini na fábrica, simples sem preparo. O autódromo foi
totalmente preparado de acordo com as normas para esse tipo de tarefa.
Foram convidados como
pilotos:
Luiz Antonio Greco (também
chefe da equipe),
José Carlos Pace,
Wilson Fittipaldi Jr,
Luis Pereira Bueno,
Carol Figueiredo,
Danilo Lemos,
Chiquinho Lameirão,
Bird Clemente,
Valdemir Costa,
Vitório Andreatta e
Geraldo Freire
Para supervisionar:
Representantes do Automóvel
Clube de São Paulo, do Automóvel Clube do Brasil e da Federação Internacional
de Automobilismo (FIA).
Objetivo:
Rodar com o Gordini, sem
intervalos, realizando reabastecimento e revisões rápidas.
Resultado:
O valente Gordini completou
51.233 km
e bateu 133 recordes.
Em um bom período choveu muito, o que dificultou
manter a velocidade de acordo com a programada, mas depois a chuva passou e
voltou a fazer a marca prevista. Aconteceu também uma capotagem que acabou danificando a carroceria mas seu motor
continuou funcionando perfeitamente.
Foi um resultado positivo
e a Willys investiu em comerciais com base nessa façanha. Infelizmente não foi
conseguido o objetivo, e as vendas não subiram.
Nesse mesmo ano de 1964, a Willys lançou no
mercado uma versão esportiva, o 1093.
Motor com taxa de compressão
de 9,2:1 (exigindo a gasolina “azul”, de alta octanagem), carburador de corpo
duplo progressivo à vácuo de 32
mm . Novo comando de válvulas e um escapamento menos restritivo.
Potencia de 42 cv a 5.800 rpm, suspensão traseira rebaixada para ganho em
estabilidade e os pneus em medidas métricas.
No lugar do porta-luvas
foi instalado um conta-giros mecânico, instrumento raro na época e o som
característico do trem de válvulas dava mais um charme ao esportivo.
![]() |
| 1093 |
Foi lançado também o
Teimoso, para atender ao programa do carro econômico lançado pelo governo. O
nome veio em decorrência da prova de resistência do Gordini, que mesmo depois
de ter a carroceria danificada ele ainda terminou a prova.
Essa versão popular perdeu
itens de conforto e até equipamentos de segurança.
Tornou-se habitual na época,
os proprietários do Teimoso, equiparem gradualmente até que ficassem parecidos
com os modelos originais.
Em 1966 foi lançado o
Gordini II, com muitas mudanças no seu interior, alguns detalhes do motor, mas
a maior foi na suspensão traseira, recebeu tensores longitudinais que
melhoravam bastante a localização das rodas traseiras nesse plano. Antes a
localização era garantida apenas por minúsculos eixos de articulação junto ao
cambio, que apresentavam folga em poucos milhares de quilômetros.
Nesse ano também, deixam o
mercado o Dauphine e o 1093.
Em 1968 chega ao mercado o
Gordini IV, apenas com novas cores. Nesse ano, em março, ele deixava de ser
fabricado. Foram um total de 74.620 unidades, sendo:
23.887 – Dauphine
41.045 – Gordini
8.967 _ Teimoso
721 _ 1093
A Ford adquiri a
Willys-Overland e um projeto denominado M, que estaria sendo desenvolvido com a
Renault desde 1965, passou às mãos da nova proprietária.
Aqui no Brasil esse projeto
gerou o Ford Corcel que veio a substituir o Gordini.
Fontes de pesquisa:












Adorei Clarinha, Parabéns!!!!!!!!!
ResponderExcluirValeu Clelson !
ResponderExcluirEu também gostei muito de conhecer mais a respeito do Gordini.
Muito interessante e me trouxe à memória bons tempos de São Paulo.
ResponderExcluirObrigada pelo comentário José A. Ceschin.
ResponderExcluirO antigomobilismo nos proporciona grandes oportunidades, sendo uma delas as boas lembranças !!!