quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A interessante história do Gordini


Com a criação do GEIA, em meados da década de 50, houve o incentivo à implantação de fábricas de automóveis aqui no Brasil, com ênfase para os utilitários e carros populares.
Na fase de implantação da indústria automobilística nacional, o GEIA recebeu mais de vinte projetos, dos quais apenas dezessete tiveram aprovação e somente doze foram concretizados:
Fábrica Nacional de Motores (caminhões, ônibus e automóveis);
Ford Motor do Brasil S/A (caminhões, automóveis, utilitários e tratores);
General Motors do Brasil S/A (caminhões e automóveis);
International Harvester S/A (caminhões);
Mercedes Benz do Brasil S/A (caminhões e ônibus);
Scania Vabis do Brasil (caminhões e ônibus);
Simca do Brasil (automóveis e camionetas);
Toyota do Brasil S/A (utilitários);
Vemag S/A ( automóveis, camionetas e utilitários);
Volkswagen do Brasil S/A (camionetas, furgões e automóveis);
Willys Overland do Brasil (utilitários, camionetas e automóveis) e
Karmann Ghia do Brasil (carrocerias de automóveis).

A Willys tinha a maior linha de utilitários (Jeep e Rural), mas era carente em carros populares e para não ficar fora dessa fatia do mercado, fez um acordo com a francesa Renault para fabricar o Dauphine aqui no Brasil.
Em dezembro de 1958,  a Willys recebeu autorização do GEIA para dar início a produção. Em março do seguinte ano, era anunciado a fabricação do seu 1° automóvel brasileiro e em outubro aconteceu o lançamento oficial.

Dauphine


O Dauphine era o único da categoria com estrutura monobloco. As linhas seguiam às do original Frances, diferenciando em alguns detalhes, como o capô, os faróis e os pára-choques. O interior acomodava 4 ocupantes com mais conforto que o VW. No painel, velocímetro e marcadores de temperatura e nível de combustível. Volante com dois aros e o acelerador tipo rodilha. Motor traseiro, 845 cm³, 26 cv líquidos(31 brutos). Câmbio de três marchas e rodas fixadas por apenas 3 parafusos.


Uma curiosidade:
A chave de roda servia como manivela de partida, havia no pára-choque e na saia traseira um furo para o engate na polia do motor.



Com seu pouco peso, 650 kg, era ágil no trânsito, sua aceleração vai de 0 a 100km/h em 35 seg., velocidade máxima de 115km/h e tinha uma autonomia de 32 litros, fazendo de 14 a 15 km/l.
Contudo era considerado um carro frágil e com as precárias estradas brasileiras acabava por destruir em poucos anos esse simpático carro.
Por causa dessa fragilidade sua reputação estava indo por água abaixo, então a Willys tomou algumas medidas para tentar alterar esse trágico panorama.

Em julho de 1962 foi lançado o Gordini. Motor mais forte, 32cv a 5.200 rpm, câmbio de 4 marchas com o objetivo de melhorar o aproveitamento da potencia com menor intervalo entre as relações de marcha.
Sua aceleração ia de 0 a 100km/h em 28 seg. e velocidade máxima 120 km/h. Amortecedores mais firmes e os freios com lonas mais largas.



Porém, mesmo com todas as mudanças e com propagandas passando a imagem de valentia, a sua durabilidade ainda era o seu ponto baixo, a qual fez surgir um apelido baseado em uma marca de leite em pó, “leite Glória – desmancha sem bater”.

A Willys não desiste de provar ao público que o Gordini era resistente e resolve investir. Ela fecha o autódromo de Interlagos por um período de 22 dias, de 26/10 até 16/11/1964, com o objetivo de bater recordes internacionais de resistência.


Foi escolhido aleatóriamente um gordini na fábrica, simples sem preparo. O autódromo foi totalmente preparado de acordo com as normas para esse tipo de tarefa.
Foram convidados como pilotos:
Luiz Antonio Greco (também chefe da equipe),
José Carlos Pace,
Wilson Fittipaldi Jr,
Luis Pereira Bueno,
Carol Figueiredo,
Danilo Lemos,
Chiquinho Lameirão,
Bird Clemente,
Valdemir Costa,
Vitório Andreatta e
Geraldo Freire

Para supervisionar:
Representantes do Automóvel Clube de São Paulo, do Automóvel Clube do Brasil e da Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

Objetivo:
Rodar com o Gordini, sem intervalos, realizando reabastecimento e revisões rápidas.

Resultado:
O valente Gordini completou 51.233 km e bateu 133 recordes.
Em um bom período choveu muito, o que dificultou manter a velocidade de acordo com a programada, mas depois a chuva passou e voltou a fazer a marca prevista. Aconteceu também uma capotagem que acabou danificando a carroceria mas seu motor continuou funcionando perfeitamente.




Foi um resultado positivo e a Willys investiu em comerciais com base nessa façanha. Infelizmente não foi conseguido o objetivo, e as vendas não subiram.

Nesse mesmo ano de 1964, a Willys lançou no mercado uma versão esportiva, o 1093.
Motor com taxa de compressão de 9,2:1 (exigindo a gasolina “azul”, de alta octanagem), carburador de corpo duplo progressivo à vácuo de 32 mm. Novo comando de válvulas e um escapamento menos restritivo. Potencia de 42 cv a 5.800 rpm, suspensão traseira rebaixada para ganho em estabilidade e os pneus em medidas métricas.
No lugar do porta-luvas foi instalado um conta-giros mecânico, instrumento raro na época e o som característico do trem de válvulas dava mais um charme ao esportivo.

1093

Foi lançado também o Teimoso, para atender ao programa do carro econômico lançado pelo governo. O nome veio em decorrência da prova de resistência do Gordini, que mesmo depois de ter a carroceria danificada ele ainda terminou a prova.
Essa versão popular perdeu itens de conforto e até equipamentos de segurança.
Tornou-se habitual na época, os proprietários do Teimoso, equiparem gradualmente até que ficassem parecidos com os modelos originais.

Em 1966 foi lançado o Gordini II, com muitas mudanças no seu interior, alguns detalhes do motor, mas a maior foi na suspensão traseira, recebeu tensores longitudinais que melhoravam bastante a localização das rodas traseiras nesse plano. Antes a localização era garantida apenas por minúsculos eixos de articulação junto ao cambio, que apresentavam folga em poucos milhares de quilômetros.


Nesse ano também, deixam o mercado o Dauphine e o 1093.

Em 1967 foi lançado o Gordini III, foram poucas mudanças, vale destacar os freios a disco opcionais nas rodas dianteiras e as lanternas traseiras maiores.


Em 1968 chega ao mercado o Gordini IV, apenas com novas cores. Nesse ano, em março, ele deixava de ser fabricado. Foram um total de 74.620 unidades, sendo:
23.887 – Dauphine
41.045 – Gordini
8.967   _ Teimoso
721      _ 1093

A Ford adquiri a Willys-Overland e um projeto denominado M, que estaria sendo desenvolvido com a Renault desde 1965, passou às mãos da nova proprietária.
Aqui no Brasil esse projeto gerou o Ford Corcel que veio a substituir o Gordini.







Fontes de pesquisa:
















4 comentários:

  1. Valeu Clelson !

    Eu também gostei muito de conhecer mais a respeito do Gordini.

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  2. Muito interessante e me trouxe à memória bons tempos de São Paulo.

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  3. Obrigada pelo comentário José A. Ceschin.
    O antigomobilismo nos proporciona grandes oportunidades, sendo uma delas as boas lembranças !!!

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